A importância da vacinação para pacientes em tratamento com imunossupressores
Em 2023 o Brasil registrou uma reversão na queda dos índices vacinais, situação que vinha enfrentando desde 2016. Mas apesar do avanço significativo ainda há muito trabalho pela frente, principalmente no que diz respeito à conscientização sobre a vacinação em pessoas adultas.
Com este objetivo em mente, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) está construindo uma força-tarefa com diferentes Sociedades médicas em prol da vacinação do adulto, tema ainda muito negligenciado entre a nossa população. A Sociedade Brasileira de Dermatologia, claro, aderiu ao chamado e, assim, convidamos a Dra. Isabella Ballalai – médica pediatra, diretora da SBIm e membro do DC Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – para nos explicar a importância de vacinar os pacientes que fazem uso de imunossupressores.
“A vacinação de pessoas imunossuprimidas (ou imunodeprimidas) é um desafio. Primeiro, quando a gente fala de doença infecciosa, que é o que queremos prevenir, essa pessoa imunossuprimida é de alto risco para as infecções. Por outro lado, são as pessoas que menos respondem às vacinas pela sua própria condição”, explica a médica, que lembra que estes pacientes têm quase 100% das vacinas recomendadas para eles nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs), inclusive a vacina Pneumocócica 13, ainda não disponível na rede pública.
“Sarampo, rubéola, caxumba, febre amarela e varicela são infecções preveníveis por vacinas atenuadas e, portanto, contraindicadas para quem está imunossuprimido. E aí fica a primeira dica: se você ainda vai planejar o início do tratamento imunossupressor em seu paciente, deve lembrar dessas vacinas um mês antes, se possível, ou ao menos 15 dias antes do início do tratamento, porque desta forma o paciente vai poder tomar as vacinas atenuadas e responder muito melhor ao tratamento – apesar de saber que nem sempre isso é possível”, explica Dra. Isabella, que também é presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ) e membro do Comitê Técnico Assessor em Imunizações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Segundo ela, as principais vacinas indicadas para pessoas imunossuprimidas são a da herpes-zóster, a pneumocócica, a tríplice bacteriana (dTpa) – que previne contra tétano, difteria e coqueluche – a vacina contra o HPV, as meningocócicas e contra as hepatites A e B.
“Hoje existe um alerta, pois o mundo inteiro está vivendo um aumento grande dos casos de coqueluche (causada pela bactéria Bordetella pertussis). São vários surtos. Na Inglaterra, por exemplo, 181 crianças menores de 4 anos morreram e, é claro, o número de casos é muito maior do que isso. Então, vale a pena vacinar o seu paciente independente da doença de base, mas com uma proteção porque ele é imunossuprimido.”
Clique no play abaixo para assistir ao vídeo completo com todas as orientações da Dra. Isabella Ballalai
Os calendários completos para cada faixa etária, inclusive de pacientes especiais, estão disponíveis no site da SBIm (https://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao). E em breve será disponibilizado um calendário conjunto deste grupo intersetorial e divulgado pela SBD, exclusivamente aos dermatologistas.