Uso de tecnologia no planejamento cirúrgico em dermatologia
Como a impressão 3D pode ser uma grande aliada em nosso dia a dia, principalmente em onicologia
Tecnologia inovadora, a impressão 3D vem proporcionando um avanço na rotina médica com a criação de modelos precisos de órgãos e estruturas anatômicas a partir de dados de imagens de tomografias, ressonâncias e ultrassonografias. E essas réplicas precisas e em tamanho real de regiões anatômicas – os biomodelos (também conhecidos como modelos anatômicos) – estão redefinindo os padrões de cuidados de saúde e oferecendo esperança para o futuro da medicina regenerativa.
Os modelos podem ser usados para o estudo anatômico e o planejamento de cirurgias complexas, permitindo aos especialistas uma visualização detalhada e aprimorada do procedimento antes mesmo de entrar no centro cirúrgico. Além disso, é possível fabricar dispositivos médicos por meio da impressão 3D como implantes, instrumentos cirúrgicos e próteses externas.
Inovação em onicologia
Em dermatologia, a aplicação da impressão 3D vem sendo utilizada principalmente na onicologia, auxiliando em cirurgias de procedimentos mais invasivos.
“Na onicologia do nosso serviço temos experiência prática com casos de tumores da unidade ungueal utilizando biomodelo para estudo preliminar e melhoria da estratégia cirúrgica. Além disso, estamos em fase de criação de dispositivo cirúrgico para ajudar na remoção de pequenos tumores”, conta a dermatologista Robertha Carvalho de Nakamura, coordenadora do Centro de Estudos da Unha do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, da Santa Casa do Rio de Janeiro. Para a especialista, as principais vantagens da inclusão de tecnologia 3D no planejamento cirúrgico são o estudo prévio do procedimento e a redução do tempo operatório e das taxas de infecção, proporcionando melhores resultados aos pacientes.
Em artigo (clique aqui para ler) publicado no periódico Skin Appendage Disorders (março, 2024), a Dra. Robertha – junto aos especialistas Andreia Leverone, Carolina Avila, Heron Werner e Clarissa Canella – aborda a aplicação de biomodelos 3D em dermatologia com foco em três casos clínicos envolvendo tumores ungueais: no caso 1 foi visualizado um tumor glômico em 3D, norteando a criação de um dispositivo cirúrgico personalizado; o caso 2, apresentando ceratoacantoma subungueal, utilizou biomodelos para planejamento cirúrgico conservador, compreensão anatômica e comunicação com o paciente; o caso 3 envolveu um sulco longitudinal, no qual biomodelos auxiliaram na localização precisa da lesão e no planejamento cirúrgico.
Segundo os autores do trabalho, “a integração de biomodelos anatômicos virtuais e físicos mostra-se valiosa na dermatologia cirúrgica, contribuindo para melhorar a qualidade do tratamento, a segurança do paciente e a educação médica.”