Produtos falsificados e roubados: um alerta urgente para dermatologistas
Em 2025, o Brasil segue enfrentando um grave problema de falsificação e roubo de cosméticos, que ameaça diretamente a saúde pública e a prática clínica dermatológica. Relatórios recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram a dimensão do problema, que vai muito além do comércio irregular e alcança consultórios, pacientes e a credibilidade de toda a cadeia da saúde.
De janeiro a 1º de agosto deste ano, o Brasil registrou o roubo ou extravio de 66.974 cosméticos, 3.735.413 medicamentos e 68.767 produtos para a saúde. No Rio, esses números representam 355 cosméticos, 6.673 medicamentos e 7.382 produtos para a saúde — um impacto significativo que reforça a importância do controle e da fiscalização.
Casos recentes que acenderam o sinal de alerta
Entre as ações mais recentes, a Anvisa determinou o recolhimento de produtos cosméticos sem registro fabricados por duas empresas que operavam ilegalmente, sem qualquer autorização de funcionamento. Além disso, em Duque de Caxias (RJ), duas fábricas clandestinas foram fechadas pela Polícia Civil, com a apreensão de mais de 20 toneladas de produtos falsos, incluindo shampoos, cremes e cosméticos de uso profissional. O material seria distribuído nacionalmente, inclusive por plataformas de venda on-line.
Outro episódio preocupante foi a determinação da Anvisa, em julho, para apreensão do lote W13035 da toxina botulínica tipo A da marca DYSPORT. Esse lote foi identificado como falsificado e não foi produzido pela detentora oficial do registro no Brasil, a Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda. A comercialização, distribuição e uso desse produto estão terminantemente proibidos.
Os riscos dos cosméticos falsificados para a saúde
Cosméticos falsificados ou sem registro sanitário podem causar uma série de reações adversas e complicações dermatológicas, incluindo:
– Dermatites de contato e reações alérgicas severas
– Infecções cutâneas e oculares
– Agravamento de quadros pré-existentes, como acne ou rosácea
– Riscos sistêmicos, quando os produtos contêm substâncias tóxicas
– Falta de eficácia e resultados imprevisíveis em tratamentos estéticos
Além disso, produtos mal armazenados ou manipulados fora das normas sanitárias podem estar contaminados por bactérias, fungos ou metais pesados, sem que o consumidor perceba.
O que os dermatologistas devem fazer?
O papel do dermatologista é essencial na identificação e combate ao uso de produtos falsificados ou de origem duvidosa. Veja como atuar:
– Oriente seus pacientes sobre os riscos de comprar cosméticos em canais não oficiais ou com preços muito abaixo do mercado
– Desconfie de produtos com embalagens incomuns, sem número de lote, sem registro na ANVISA ou com composição alterada
– Nunca utilize, prescreva ou aplique produtos sem origem comprovada, especialmente injetáveis
– Em caso de suspeita de falsificação, notifique imediatamente a ANVISA e os órgãos de vigilância sanitária locais
– Informe seus colegas e equipe sobre os lotes e marcas envolvidos nas últimas apreensões
Nossos pacientes também precisam estar atentos
O público leigo, muitas vezes atraído por preços baixos ou promessas milagrosas nas redes sociais, deve ser constantemente alertado. Por isso, a educação em saúde e o papel orientador do dermatologista são fundamentais.
Ao identificar um produto suspeito, o consumidor deve:
– Evitar o uso imediato
– Guardar embalagem, recibos e fotos
– Denunciar à ANVISA pelo site ou app
– Procurar um dermatologista caso já tenha usado o produto e apresente alguma reação
A falsificação de medicamentos e cosméticos é um crime que coloca vidas em risco, desrespeita a atuação profissional e mina a confiança na dermatologia séria e ética. Como especialistas da pele, é nosso dever estar informados, vigilantes e engajados na proteção da saúde dos nossos pacientes.
Informar é prevenir. Denunciar é proteger. Cuidar é também fiscalizar.
Quer saber mais? Todas as situações de produtos cosméticos ou medicamentos com identificação de falsificação identificados pela Anvisa são publicados em DOU e também estão disponíveis na consulta a seguir: https://consultas.anvisa.gov.br/#/dossie/
A busca tem um filtro específico para produtos falsificados. Já os casos de roubo e furtos comunicados pelas empresas do setor estão disponíveis nas planilhas
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/fiscalizacao-e-monitoramento/roubos-furtos-e-extravios