O papel estratégico do Teste de Progresso na qualificação dos serviços dermatológicos

O papel estratégico do Teste de Progresso na qualificação dos serviços dermatológicos

O Teste de Progresso Individual em Dermatologia (TPI-Derma) é uma avaliação anual criada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com a Associação Médica Brasileira, para medir a evolução cognitiva de residentes e especializandos ao longo de sua formação.

Trata-se de um exame pedagógico, estruturado e validado, que acompanha o desenvolvimento do aluno de maneira contínua — permitindo autoavaliação, identificando lacunas reais de aprendizado e estimulando a melhoria dos serviços de ensino em todo o país.

Aplicado exclusivamente aos profissionais matriculados em programas credenciados pelo MEC ou pela SBD, o TPI-Derma também oferece benefícios concretos aos participantes, que podem utilizar seu desempenho no exame como bonificação ou até mesmo dispensa da fase teórica do Título de Especialista em Dermatologia (TED).

Para entender melhor a proposta, a estrutura e os impactos do Teste conversamos com a Dra. Regina Carneiro, secretária-geral da SBD (gestão 2025-2026) e Professora Titular de Dermatologia da Universidade do Estado do Pará. Confira!

RIO DERMATOLÓGICO: Qual o objetivo principal do Teste de Progresso Individual para Residentes e Especializandos em Dermatologia e em que pontos este exame difere (ou se complementa) ao tradicional processo de certificação para obtenção do Título de Especialista em Dermatologia (TED)?

Dra. Regina Carneiro:
O Teste de Progresso da Dermatologia (TPI Derma) tem como objetivo avaliar o ensino da dermatologia nos programas de Residência Médica credenciados pelo MEC e nos Programas de Especialização da SBD. Diferentemente da prova de Título, o TPI não representa o fim do aprendizado. Pelo contrário: ele permite acompanhar, ao longo da formação, o desenvolvimento dos alunos, identificando pontos fortes e áreas que podem ser aprimoradas.

Trata-se de um instrumento pedagógico que contribui para elevar a qualidade do ensino, oferecendo subsídios reais para o aprimoramento contínuo dos serviços e da formação dos futuros dermatologistas.

 

RIO DERMATOLÓGICO: Comente sobre o formato da prova e que tipo de conteúdo os candidatos devem estudar para se preparar.

Dra. Regina Carneiro: A prova será composta por 80 questões de múltipla escolha, elaboradas com base no conhecimento construído diariamente pelos alunos em seus serviços. As perguntas contemplarão situações reais da prática clínica, cirúrgica, cosmiátrica e de exames complementares, refletindo exatamente o que é vivenciado pelos residentes e pelos alunos da Especialização SBD, independentemente do serviço em que estejam atuando.

Como em qualquer avaliação, é necessário estudo. Entretanto, o preparo para essa prova não foge da rotina de aprendizado dentro dos serviços, pois o conteúdo é fiel à prática cotidiana. O objetivo é reconhecer e valorizar o que o aluno realmente aprende no dia a dia, reforçando a formação sólida e coerente com a realidade da Dermatologia no Brasil.

 

RIO DERMATOLÓGICO: Quais os benefícios concretos para quem participa do TPI-Derma e como estes incentivos funcionam na prática?
Dra. Regina Carneiro: Em primeiro lugar, o TPI é uma avaliação estruturada do ensino baseada na matriz de competências da residência. Esse processo permitirá que a Sociedade identifique necessidades reais dos serviços e ofereça suporte efetivo — seja por meio de cursos da Universidade da Pele, apoio logístico ou subsídios materiais — garantindo que a matriz seja cumprida de forma igualitária em todo o Brasil.

Outro grande avanço conquistado pela atual gestão é a possibilidade de bonificação para os médicos residentes credenciados pelo MEC e para os alunos dos programas de Especialização da SBD. Aqueles que obtiverem 70% ou mais de aproveitamento poderão pular a fase teórica do TED. Já quem alcançar entre 60% e 69% receberá 20% de bônus na nota da primeira fase do exame.

Ou seja, pela primeira vez a gestão assegura um benefício concreto aos alunos que cursam residências e especializações credenciadas, valorizando quem realmente está inserido em programas reconhecidos e sérios. Afinal, o TPI é exclusivo para esses profissionais.

Com essa iniciativa, a SBD não apenas valida e reconhece a formação, como reafirma seu compromisso com os serviços credenciados — que são a célula-mãe da Sociedade. O objetivo é claro: fortalecer a qualidade do ensino e garantir que a dermatologia brasileira permaneça em um patamar de excelência