Editorial – RD 53

Editorial

Quando a saúde mental é prejudicada pelo virtual, o que nós, dermatologistas, podemos fazer? Quando a saúde mental é prejudicada pelo virtual, o que nós, dermatologistas, podemos fazer?

No início de outubro, as redes sociais Instagram, WhatsApp e Facebook saíram do ar por algumas horas. Foi o suficiente para que muitas pessoas entrassem em pânico, sem saber o que fariam do seu dia “perdido”, e para que todos nós percebêssemos o quanto estamos dependentes dessas ferramentas digitais. E, claro, isso não é saudável. Ainda, mais que ser dependente do virtual, há outro comportamento igualmente nada saudável que a cada dia ganha novos adeptos, infelizmente: a comparação da vida real com a de influenciadores digitais, a busca pela beleza inalcançável demonstrada em fotos, muitas vezes irreais, retocadas por filtros. As consequências? Aumento da ansiedade, depressão e insatisfação com a própria imagem, principalmente entre adolescentes, o que levou a Noruega a exigir que influenciadores digitais informem se suas fotos sofreram alguma alteração, a fim de “reduzir a pressão nos mais jovens sobre a aparência de seus corpos”. Também uma pesquisa da Academia Americana de Cirurgia Plástica mostrou que o número de adolescentes buscando a rinoplastia aumentou, com 41% dos cirurgiões identificando este fato como uma tendência crescente, em adição ao desejo de ter uma aparência melhor nas video-conferências (o chamado “efeito Zoom”, nascido em meio à pandemia). Então, quando a saúde mental começa a ser prejudicada pelo virtual, o que nós dermatologistas podemos fazer e qual o nosso papel nesse contexto? Fomos atrás dessas respostas com colegas renomados, atuantes na área cosmiátrica – Juliana Neiva, Thales Bretas e Renato Soriani – e você pode conferir na matéria de capa, “O uso de filtros nas redes sociais e a obsessão pela beleza”.

Nesta edição tratamos de outro assunto polêmico, um caso  envolvendo a escala Fitzpatrick e a questão de cotas em um concurso público, que chamou a atenção dos dermatologistas para a emissão de laudos a fim de comprovar raça, cor e/ou etnia. Você sabe qual a orientação da SBD e como proceder diante de um pedido de laudo? Confira na nossa matéria. Na Coluna Opinião você vai ficar por dentro de um assunto cada vez mais discutido: a relação da criança com maquiagem/skincare. Quais impactos isso pode ter na saúde psicológica dos pequenos? Do ponto de vista dermatológico, é positiva essa atenção precoce de crianças ao tema? É o que você confere no texto elaborado pela dermatologista pediátrica Ana Mósca, que nos apresenta sua opinião e explica como os pais devem proceder. Fugindo um pouco de polêmicas, a Coluna Ethos traz um tema interessante, que nos deixa felizes e cada vez mais esperançosos: o retorno dos eventos presenciais. Para abordar o assunto convidamos Fatima Facuri, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil), para nos explicar como anda esse trem, que já está voltando aos trilhos, usando suas palavras. No mais, nesta edição você encontra tudo o que precisa saber sobre nossos eventos – os passados e os que estão por vir até o fim do ano – e um texto importante sobre a mudança de esquema de tratamento da hanseníase em pacientes paucibacilares, com link para a nota técnica emitida pela SBD.

Um abraço,

Fabiano Leal
Presidente da SBDRJ
Gestão David Rubem Azulay
Biênio 2021-2022