Coluna Opinião
Ultrassom na dermatologia
Por Elisa Barcaui – Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), com especialização em Dermatologia (UniRio). Mestre e Doutora em Radiologia pela UFRJ .
Nas últimas décadas, significantes avanços tecnológicos possibilitaram a introdução de novos métodos de diagnóstico na dermatologia, entre eles, a ultrassonografia de alta frequência (USAF). Os pioneiros do uso da ultrassonografia (USG) na dermatologia foram Alexander e Miller que, em 1979, utilizaram um aparelho unidirecional (modo A) para medir o espessamento cutâneo. Na década de 80, surgiram os equipamentos com Modo B, bidirecionais, o que aumentou sua aplicação na área dermatológica. A partir deste momento, o desenvolvimento de novos componentes eletrônicos e a introdução de técnica de análise digital permitiram o aperfeiçoamento da imagem, fundamental para precisão diagnóstica.
Na dermatologia são utilizados equipamentos de alta resolução com transdutores lineares de alta (>15 MHz) ou ultra alta (>30 MHz) frequência. A escolha da frequência a ser empregada depende da indicação clínica. Associada ao avanço tecnológico, observou-se, também, uma alteração com relação ao tamanho e custo dos aparelhos. O surgimento dos equipamentos portáteis com
uma estrutura mais compacta ampliou ainda mais o seu uso. Hoje em dia, a USAF pode ser entendida como um instrumento complementar ao exame clínico, que permite ao examinador
fazer uma forte correlação entre a imagem observada no monitor e o objeto de estudo, o que fornece informações valiosas na prática diária da dermatologia. Podemos destacar o seu uso na avaliação dos diferentes tumores cutâneos, nas doenças inflamatórias e infecciosas, nas alterações dos anexos cutâneos e na cosmiatria. Por ser um exame dinâmico e realizado in vivo, o método pode ser utilizado per- operatório auxiliando os diferentes procedimentos cirúrgicos, assim como é capaz de guiar procedimentos estéticos e o tratamento de suas eventuais complicações.
O exame ultrassonográfico cutâneo requer compreensão tanto da área dermatológica como ultrassonográfica. A associação do entendimento do princípio das bases da USG e do objeto que se deseja avaliar é essencial para uma interpretação correta da imagem. O operador deve estar apto para fazer os ajustes necessários do equipamento para obtenção de uma boa qualidade da imagem, assim como deve ter o conhecimento da anatomia e das possíveis alterações patológicas. É importante ressaltar que o método é operador dependente e a sua acurácia está intimamente relacionada à expertise do examinador.
Assim como os outros métodos de diagnóstico por imagem, a USG cutânea não deve ser vista como um substituto do exame histopatológico, mas precisa ser entendida como mais uma ferramenta auxiliar na semiologia dermatológica. Trata-se de uma técnica não invasiva, indolor e realizada em tempo real. É capaz de agilizar o diagnóstico, otimizar a avaliação pré-operatória e orientar procedimentos estéticos e terapêuticos. Entretanto, a devida capacitação é fundamental para a correta aplicação da prática dermatológica.