Coluna Ethos

Retorno dos eventos presenciais

Por Fátima Facuri – Presidente da associação brasileira das empresas organizadoras de eventos

Há um ano e meio parado, o setor de eventos corporativos, feiras e congressos começa a dar os primeiros passos rumo ao tão esperado retorno de suas atividades. A pandemia do novo coronavírus feriu gravemente a humanidade, ceifou vidas e também o trabalho de muitos. A organização e montagem de um congresso, por exemplo, envolve centenas de profissionais, tanto na prestação de serviços direta, dentro de um hotel ou centro de convenções, quanto indireta. Afinal, atire a primeira pedra quem nunca comprou um saquinho de pipoca antes de imergir em horas de palestras?

E, se do nosso lado estivemos compulsoriamente de braços cruzados, do outro, patrocinadores e público também estiveram órfãos. Os congressos de medicina, por exemplo, são importantes para capacitar e atualizar os especialistas para melhor atenderem os seus pacientes. Essa é uma das formas que o médico tem para saber o que há de mais novo em sua área e se manter competitivo perante a concorrência do mercado de saúde, em constante evolução.

Nesse período, além de lutarmos pela sobrevivência enquanto aguardávamos que a crise na saúde acabasse, buscamos jeito de fazer esse retorno de forma segura. A ABEOC Brasil – Associação Brasileira das Empresas de Eventos, em conjunto com outras entidades do trade, elaborou um protocolo sanitário específico para o setor. O documento recebeu, inclusive, aval do corpo clínico do Hospital das Clínicas de São Paulo. Foram realizadas inúmeras reuniões com as autoridades e eventos-teste que atestaram a eficiência das normas. Distanciamento, máscaras e higienização das mãos são o tripé de toda e qualquer ação, tanto dentro dos eventos como fora deles, nas igrejas, shoppings, escolas, escritórios. A diferença é que temos um público monitorado, que podemos identificar e, entre as exigências dos estados para a retomada está a comprovação da imunização em primeira e segunda doses ou em dose única. Um imenso esforço foi gasto para transparecer às autoridades a diferença entre as aglomerações clandestinas, que desrespeitaram todo e qualquer tipo de controle desde o início da pandemia, e também os shows, eventos sociais e esportivos da logística das feiras e congressos. Esforço consolidado com a realização dos eventos-teste, que ratificaram nossos argumentos e mostraram a seriedade de um segmento que movimenta categorias profissionais, o turismo, indústria, comércio e serviços, gera empregos, e é a chave para a reconstrução da economia.

O retorno dos eventos presenciais já é uma realidade. Aos poucos, os calendários estão começando a ser cumpridos. Esse trem já está voltando aos trilhos. Retomaremos nosso crescimento sem jamais esquecer que a Covid-19 nos mostrou – e ao mundo – que é preciso cada vez mais empatia e que cuidar da segurança sanitária está entre as prerrogativas para uma humanidade mais justa para todos. Com os eventos corporativos, feiras e congressos não será diferente. Se cuidar de nossas equipes, patrocinadores, expositores e público já era parte do que somos, a partir de agora agregaremos os protocolos sanitários aos nossos projetos. Somos e seremos sempre seguros. Que voltem as feiras! Que voltem os congressos!