A Inteligência Artificial no diagnóstico precoce do melanoma
Por meio de softwares e dispositivos inovadores, a tecnologia tem proporcionado avanços no diagnóstico precoce do mais grave tipo de câncer cutâneo – o melanoma, auxiliando os médicos na identificação dos estágios iniciais da doença e levando mais qualidade de vida a diversos pacientes. Porém, é importante ressaltarmos que, apesar da ajuda ser mais que bem-vinda, a Inteligência Artificial não substitui o trabalho do dermatologista, mas atua como um complemento da avaliação médica.
Em celebração ao Mês Internacional de Combate ao Melanoma (maio) conversamos com o Dr. Moyses Costa Lemos sobre algumas informações essenciais deste tema tão atual e relevante para nossa especialidade:
Dr. Moyses Costa Lemos
Diretor de Mídias Eletrônicas da SBD e Presidente do Sexto Distrito da SBD-RESP;
Residência em Dermatologia HC-FMRP e em Cirurgia Dermatológica-Unesp Botucatu;
Mestre em Biotecnologia – UFSCar;
Fellow em Cirurgia Micrográfica SBD/SBCD.
RD: Qual a importância do uso da Inteligência Artificial no diagnóstico precoce do melanoma?
Dr. Moyses: Há 5,4 milhões de novos casos de câncer de pele nos Estados Unidos a cada ano. Eles representam menos de 5% de todos os cânceres de pele neste país, mas são responsáveis por aproximadamente 75% de todas as mortes relacionadas ao câncer cutâneo.
A sobrevida estimada em cinco anos para o melanoma cai de mais de 99% se detectado em seus estágios iniciais para cerca de 14% se detectado em seus estágios mais avançados. Dessa forma, a Inteligência Artificial (IA) pode ajudar no diagnóstico precoce dos melanomas finos, ou seja, aqueles com menos de 1mm de espessura.
Através de um mapeamento adequado, a IA pode auxiliar na identificação de lesões novas ou na modificação do tamanho das lesões preexistentes. Além disso, pode fazer um screening populacional e auxiliar o clínico geral no início das avaliações de saúde em lugares que não possuem especialistas disponíveis. A ideia principal não é a concorrência homem-máquina e sim o trabalho colaborativo entre eles para melhorar a vida do paciente através do diagnóstico precoce.
RD: Atualmente, como está o uso de softwares na dermatologia?
Dr. Moyses: A dificuldade hoje é na padronização das imagens. Os artigos científicos demonstram uma melhora da acuidade diagnóstica dos clínicos gerais, mas ainda não superam ou afetam os diagnósticos realizados pelos especialistas. Porém, é importante ressaltar que os softwares não necessitam de anos de treinamento como um especialista. Infelizmente estes hardwares e softwares ainda são pouco acessíveis pelo preço, mas a tendência é o barateamento das tecnologias no decorrer do seu uso.