Cirurgia e pequenos procedimentos nas unhas no consultório: precisão, segurança e resolutividade na prática dermatológica

Cirurgia e pequenos procedimentos nas unhas no consultório: precisão, segurança e resolutividade na prática dermatológica

Cada vez mais presentes na rotina do dermatologista, os procedimentos ungueais vêm ganhando espaço como intervenções resolutivas, seguras e de baixo custo, capazes de transformar rapidamente a qualidade de vida dos pacientes. Em ambiente ambulatorial, com técnica adequada e indicação precisa, a cirurgia das unhas se consolida como uma importante aliada no manejo de condições frequentes e, muitas vezes, negligenciadas.

Para aprofundar esse tema, conversamos com a Dra. Andreia Leverone, chefe do Centro de Estudos de Unha da Santa Casa da Misericórdia do RJ e coordenadora do Departamento de Unhas da SBDRJ, que compartilha os principais aspectos práticos, indicações e cuidados envolvidos nesses procedimentos.

Procedimentos mais realizados: o protagonismo da abordagem minimamente invasiva
Segundo a especialista, os procedimentos minimamente invasivos predominam nos consultórios dermatológicos, com destaque para o manejo da onicocriptose — ainda o procedimento mais frequente.

O tratamento envolve técnicas como a avulsão parcial da placa ungueal associada à matricectomia química ou cirúrgica, utilizando agentes como fenol 88% ou ácido tricloroacético (TCA 90%), aplicados após curetagem do tecido de granulação. Outra abordagem é a cantoplastia, indicada para correção de hipertrofias das dobras ungueais.

Além disso, ganham relevância:

  • Biópsias de matriz ou leito ungueal, fundamentais no diagnóstico diferencial de melanoníquia e suspeitas tumorais, além de doenças inflamatórias como líquen plano e psoríase;
  • Drenagem de hematoma subungueal, com alívio imediato da dor;
  • Excisão de tumores benignos e granuloma piogênico, incluindo tumores glômicos e cistos;
  • Avulsão total terapêutica, indicada em casos como onicomicose refratária ou retroníquia.Realizados sob anestesia local, esses procedimentos apresentam baixa morbidade e recuperação rápida, geralmente entre 3 e 4 semanas.

Quando indicar cirurgia? O momento certo faz diferença
A decisão pela intervenção cirúrgica deve considerar a falha do tratamento conservador e o risco de progressão ou complicações. Entre as principais indicações estão:

  • Onicocriptose avançada, recorrente e incapacitante;
  • Paroníquia crônica refratária;
  • Suspeita de neoplasias benignas ou malignas;
  • Hematomas subungueais extensos e dolorosos;
  • Deformidades ungueais importantes ou infecções persistentes.

A Dra. Andreia destaca que sinais como dor intensa, presença de granuloma, secreção, falha terapêutica após semanas e alterações pigmentares progressivas são alertas importantes para intervenção.


Técnica e assepsia: pilares da segurança
A execução segura exige rigor técnico e protocolos bem estabelecidos. Entre os principais cuidados estão:

– Antissepsia adequada e uso de campo estéril;
– Bloqueio anestésico digital com lidocaína sem epinefrina;
– Uso de torniquete para hemostasia;
– Execução precisa da técnica, com atenção à matriz ungueal;
– Orientações pós-operatórias claras e acompanhamento próximo.

A padronização desses passos é essencial para minimizar riscos e garantir bons desfechos.


Complicações: como prevenir e manejar

Apesar da baixa taxa de complicações, algumas intercorrências podem ocorrer. As mais comuns incluem dor pós-operatória, infecção local e recorrência — especialmente quando a matricectomia é incompleta.

Complicações mais raras, como onicólise definitiva ou necrose de margens, reforçam a importância da técnica cuidadosa e da avaliação de fatores de risco, como diabetes e tabagismo.

O acompanhamento adequado, aliado a orientações simples — como curativos regulares e evitar calçados apertados — reduz significativamente os riscos e melhora a recuperação.

Uma prática em expansão
Para a Dra. Andreia, a cirurgia ungueal no consultório representa um campo em expansão dentro da dermatologia, combinando alta resolutividade, impacto direto na qualidade de vida do paciente e possibilidade de atuação diferenciada do especialista.

Dominar essas técnicas é, hoje, mais do que um diferencial — é uma necessidade para o dermatologista que busca uma prática completa, precisa e centrada no cuidado integral.