Polêmicas à parte, a isotretinoína é queridinha da dermatologia desde a década de 80 – a droga foi aprovada pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) em 1982 – estando há 40 anos estabelecida como um tratamento altamente eficaz para acne grave e persistente.
Porém, além de ser responsável por devolver a autoestima de diversos jovens acometidos pela acne, seus efeitos colaterais (como o potencial teratogênico) e uso off label movimentam rodas de conversa médicas e reportagens na mídia.
Recentemente, o medicamento tem sido mencionado como opção terapêutica para outras condições dermatológicas. Mas como podemos utilizá-lo de forma segura e eficiente para essas diferentes condições?
Além disso, o uso da isotretinoína para o tratamento da rosácea tem ganhado destaque na comunidade médica. Como a droga se mostra eficaz para o controle dos sintomas da rosácea e quais as principais considerações e precauções que devem ser tomadas ao prescrevê-la para pacientes com essa condição?
Para te entregar as respostas a essas questões, conversamos com o Dr. Celso Sodré, professor de dermatologia da UFRJ e da Faculdade Souza Marques e preceptor do Centro de Estudos dos Cabelos do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, da Santa Casa do Rio.
“Embora a isotretinoína oral permaneça tendo como única indicação aprovada pelas agências reguladoras o tratamento da acne grave e/ou resistente aos outros tratamentos, ela tem se mostrado útil no tratamento de diversas outras condições, com evidências científicas em maior ou menor grau.
Podemos começar pela rosácea, cujos primeiros relatos de eficácia são da década de 1980, inicialmente para formas graves a para os fimas e, assim como para acne, cada vez mais sendo utilizada para formas leves e iniciais e em doses relativamente menores que as indicadas para o tratamento acneico (0,3 mg/kg/dia), além de um tempo também menor (4-5 meses ou até 1-2 meses depois de ter conseguido a resolução do problema e oferecendo tempo de remissão prolongado de muitos meses a anos). A diminuição da atividade sebácea alterando a microflora (redução de demodex, assim como de C. acne) aliado à inibição da imunidade inata seria possivelmente o seu principal mecanismo de ação, tanto nas manifestações cutâneas quanto nas oftalmológicas.
No mundo das alopecias mostra-se a única intervenção eficaz na melhora das pápulas faciais, presentes na alopecia fibrosante frontal, também em doses baixas (0,3 mg/kg/dia por alguns meses) e útil também no controle da própria alopecia na dose de 20 mg/dia por 1 ano.
É tratamento de primeira linha para foliculite dissecante (0,5-1,0 mg/kg/dia por meses, às vezes sendo necessário retratamento) e menos convincentemente no tratamento da foliculite decalvante; o mecanismo de ação novamente teria a ver com a correção da queratinização da parede folicular do istmo e infundíbulo, diminuição do sebo (possível modificação da microbiota e seu estímulo na imunidade inata) e ação anti-inflamatória por inibição da imunidade inata. Em alguns casos de seborreia intensa também pode ser útil em doses pequenas, além de poder ser tentada em casos de dermatite seborreica intratável.
Pitiríase rubra pilar, mesmo sendo rara assim como Doença de Darier, também são condições que sabidamente respondem à isotretinoína.
Em todas as situações, para ser prescrita com segurança, temos que cuidar da contracepção de
mulheres férteis até um mês depois da interrupção do tratamento, além de monitorar especialmente triglicerídeos, colesterol e transaminases que infrequentemente podem mostrar elevação durante o tratamento. Portanto, avaliar com prudência a indicação em pacientes dislipidêmicos ou hepatopatas.”
QUER SABER MAIS?
Na próxima edição do 7º Terario e 16º Cosmiatria e Laser teremos um bloco intitulado “ANTIGAS, ATUAIS E FUTURAS INDICAÇÕES DA ISOTRETINOÍNA”, com os seguintes experts:
Moderadores: Ana Luisa Sampaio e Paula Marsillac
Debatedores: Celso Sodré, Bárbara Nader e Heloisa Hofmeister
Participe!
Saiba aqui mais sobre o evento