Contorno e qualidade cutânea da região glútea: injetáveis e tecnologias

Contorno e qualidade cutânea da região glútea: injetáveis e tecnologias

O cuidado estético da região glútea vem ganhando protagonismo nos consultórios dermatológicos, impulsionado por uma demanda crescente por tratamentos que vão além do volume e priorizam também a qualidade cutânea, o contorno e a naturalidade dos resultados.
Nesse cenário, a abordagem moderna exige uma visão integrada, que considere pele, tecido subcutâneo e musculatura como partes de um mesmo processo de envelhecimento e remodelação corporal.

Mais do que escolher uma única abordagem, o diferencial atual está na combinação inteligente dessas ferramentas. A decisão terapêutica passa por uma avaliação criteriosa do principal componente da queixa — seja flacidez, perda de volume, alteração de textura ou comprometimento muscular —, com planos de tratamento multicamadas que buscam resultados mais harmônicos, seguros e alinhados às expectativas do paciente.

Em entrevista à Rio Dermatológico, a dermatologista Dra. Camila Salazar, especialista em laser e tecnologias do Grupo Paula Bellotti, destaca que o avanço dos injetáveis e das tecnologias ampliou significativamente as possibilidades terapêuticas na região glútea.

Rio Dermatológico: Quais são, hoje, os principais injetáveis utilizados para melhorar o contorno e a qualidade da pele na região glútea, e em quais casos cada um deles é mais indicado?
Dra. Camila Salazar: Hoje, os principais injetáveis para a região glútea são os bioestimuladores de colágeno à base de ácido poli-L-lático, os preenchedores de ácido hialurônico e produtos voltados à remodelação tecidual e melhora da qualidade da pele. O ácido poli-L-lático é especialmente interessante quando o objetivo é melhorar flacidez, sustentação e qualidade global do tecido; os preenchedores de ácido hialurônico ficam mais reservados para casos selecionados de correção de assimetrias, depressões ou volumização; e o bioremodelador entra mais na proposta de hidratação profunda, remodelação tecidual e melhora de flacidez superficial, sem aumento de volume. 

 

Rio Dermatológico: Quando falamos em qualidade cutânea dos glúteos — como flacidez, textura irregular ou celulite — quais tecnologias têm se destacado nos consultórios dermatológicos e por quê?
Dra. Camila Salazar: Entre as tecnologias, destacam-se radiofrequências, que atuam na flacidez e na qualidade cutânea por estímulo de colágeno, além de contribuírem para a melhora do contorno corporal; o ultrassom microfocado, que atua em planos mais profundos, auxiliando na sustentação tecidual e no refinamento do contorno, com efeito também sobre o tecido adiposo, especialmente em áreas como o culote; tecnologias baseadas em campo eletromagnético de alta intensidade, que promovem melhora de tônus e massa muscular; e recursos que associam radiofrequência e ondas acústicas, especialmente úteis nos casos de celulite e irregularidade de textura. O diferencial atual está justamente na abordagem integrada dos diversos componentes da queixa glútea, incluindo pele, tecido subcutâneo e musculatura.

Rio Dermatológico: Na prática clínica, como o dermatologista decide entre apostar em injetáveis, tecnologias ou na combinação de ambos para tratar a região glútea?
Dra. Camila Salazar: Na prática clínica, a decisão entre injetáveis, tecnologias ou associação depende da avaliação individual da paciente e do principal componente da queixa. Em casos de flacidez e piora da qualidade da pele, tecnologias e bioestimuladores costumam ser suficientes. Quando há comprometimento da musculatura, tecnologias que atuam nesse nível podem ter papel central. Já os preenchedores de ácido hialurônico são mais bem indicados em situações específicas, como depressões, assimetrias ou necessidade de aumento de volume. Nos casos mais completos, que associam flacidez, alteração de textura e perda de volume, a combinação de tecnologias e injetáveis tende a oferecer resultados mais harmônicos e naturais.

 

Rio Dermatológico: Quais são os principais cuidados e critérios de segurança que o dermatologista deve considerar ao realizar procedimentos estéticos nessa área do corpo?
Dra. Camila Salazar: Em termos de segurança, é fundamental respeitar a anatomia da região, reconhecer áreas de risco, evitar excessos de volume e utilizar apenas produtos aprovados e com indicação adequada. Preenchedores exigem atenção máxima ao plano de aplicação e ao risco vascular, enquanto materiais permanentes ou inadequadamente indicados podem gerar complicações tardias importantes. No uso de tecnologias, é essencial evitar tratamentos que levem à redução indesejada de volume quando não há indicação, além de atenção rigorosa aos parâmetros para prevenir efeitos adversos, como queimaduras. Isso envolve ajuste adequado de temperatura, profundidade e frequência de energia, além da avaliação individual de fatores como fototipo e características teciduais. Segurança, nessa área, passa por técnica, conhecimento anatômico, critério e planejamento global do tratamento que considere todos os componentes da região e as particularidades de cada paciente desde a indicação inicial.