SBD apresenta Inquérito Dermatológico 2024: acne e câncer de pele lideram diagnósticos no Brasil
No fim de junho, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgou os resultados do Inquérito Epidemiológico/Dermatológico 2024, um estudo nacional que mapeia os principais diagnósticos realizados por dermatologistas em serviços públicos e privados de todo o país. Esta é a terceira edição do levantamento – as anteriores foram realizadas em 2006 e 2018 – e surge como uma ferramenta essencial para reavaliar as demandas atuais da dermatologia brasileira com base em dados confiáveis e metodologia robusta.
O estudo foi realizado durante a gestão do presidente da SBD no biênio 2023-2024, Dr. Heitor de Sá Gonçalves, e traz um retrato detalhado dos diagnósticos realizados por especialistas associados à entidade, com o objetivo de orientar o ensino, a assistência, as políticas públicas e a indústria farmacêutica.
“A SBD visualiza a importância dos censos e inquéritos dermatológicos devido a várias lacunas que temos hoje. Por exemplo: o que é importante ensinar ao nosso residente, ao aluno de graduação, tendo em vista o quadro epidemiológico do Brasil? Esse já é um primeiro fator: balizar o ensino na graduação e na pós-graduação”, explica Dr. Heitor.
Para o dermatologista, o segundo fator é entender a necessidade de readaptação dos serviços de dermatologia: “como obter maior capacidade resolutiva? Quais são as principais endemias que vão se concentrar nesses serviços, públicos ou privados? E o terceiro é o papel do inquérito na formulação de políticas públicas de saúde, desde a atenção primária até a terciária.”
Segundo o médico, o levantamento permite fomentar a discussão com a indústria farmacêutica sobre o que deve ser pesquisado, desenvolvido e oferecido à população a custos mais acessíveis. “Essas foram as razões que motivaram a SBD a realizar esse novo inquérito dermatológico.”
Cenário atual: acne e câncer de pele lideram em redes distintas
Com dados coletados entre agosto e setembro de 2024, o estudo apontou que:
– Acne foi o diagnóstico mais frequente no país, representando 9,5% dos atendimentos, predominando entre jovens de 13 a 24 anos na rede privada.
– Psoríase, com 7,1% dos registros, apareceu principalmente em adultos de 25 a 59 anos e também teve maior incidência no setor privado, sobretudo em consultas de retorno.
– Neoplasias malignas de pele surgiram em 6,9% dos casos, sendo a maioria (58,3%) diagnosticada na rede pública, o que evidencia o papel crucial do SUS na triagem de casos graves.
“Na rede pública, o câncer de pele foi o diagnóstico mais frequente, seguido por doenças imunomediadas como dermatite atópica e psoríase. Em quarto lugar, aparece a acne. Isso mostra, primeiro, que ainda enfrentamos dificuldade de acesso da população ao sistema público em fases mais precoces da doença; muitas vezes, o diagnóstico já é feito quando a lesão virou câncer, e não em sua fase inicial.”
O ex-presidente da SBD explica que as doenças imunomediadas ganharam maior visibilidade nos últimos anos, sobretudo porque agora dispomos de tratamentos eficazes — que vão desde cremes e fototerapia até os modernos imunobiológicos. Esse avanço no conhecimento chegou à população, que passou a buscar os serviços de saúde de forma mais ativa e informada. Já o setor privado, a situação é distinta: a acne lidera os atendimentos, seguida pelas doenças pré-neoplásicas, aquelas que ainda não se tornaram câncer. “Isso mostra como o acesso facilitado ao atendimento privado permite que o diagnóstico seja feito mais precocemente”, explica ele.
Quanto à acne, os dados revelam duas realidades: primeiro, o conhecimento da população sobre os tratamentos eficazes, acessíveis e com resultados estéticos significativos. Segundo, um grau maior de conscientização, especialmente entre os jovens, sobre o cuidado com a saúde da pele.
Metodologia com abordagem presencial e representatividade nacional
O inquérito seguiu uma metodologia rigorosa, com coletas presenciais realizadas durante duas semanas epidemiológicas previamente definidas. Participaram serviços públicos e privados de vários estados brasileiros, o que conferiu diversidade e representatividade ao estudo.
“Optamos por uma abordagem presencial, e não por telefone, como ocorre em algumas pesquisas. Foram ouvidos representantes de diferentes regiões, respeitando a realidade local de cada serviço e garantindo qualidade e fidelidade nos dados coletados”, destaca o Dr. Heitor.
Ferramenta estratégica para ensino, gestão e pesquisa
Mais do que um retrato momentâneo, o inquérito se consolida como instrumento estratégico para orientar decisões em diferentes esferas:
– Na formação médica, ajuda a alinhar o ensino com a realidade epidemiológica do país.
– Nos serviços de saúde, permite reavaliar a capacidade resolutiva e a distribuição de recursos.
– Para o setor público, apoia políticas voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento.
– E para a indústria farmacêutica, oferece subsídios sobre o que priorizar em pesquisa, produção e distribuição.
“Transformar dados em ação, esse é o objetivo maior desse trabalho. O inquérito serve à SBD, aos serviços credenciados, aos dermatologistas em formação e aos gestores de saúde. E, principalmente, contribui para um Brasil mais preparado para cuidar da saúde da pele da sua população”, conclui Dr. Heitor.
Clique aqui e confira o Inquérito na íntegra https://d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net/sbd-portal-2024/wp-content/uploads/2025/04/30093152/Novos-Dados-Epidemiolo%CC%81gicos-SBD-divulga-Inque%CC%81rito-dermatolo%CC%81gico-nacional_-2.pdf