Vale a pena investir em óxido nitroso para o consultório?
O universo da cosmiatria se amplia e adquire novos cenários. Técnicas e procedimentos cada vez mais modernos e eficazes, tecnologias mais seguras e um novo horizonte se abre para deixar o dia a dia no consultório mais prático e eficaz – e os pacientes satisfeitos, claro!
E é pensando no conforto e na fidelização dos nossos pacientes que, hoje, abordamos o uso do óxido nitroso no dia a dia do consultório.
Óxido nitroso na dermatologia: um divisor de águas
O óxido nitroso, também conhecido como protóxido de azoto (N2O), é um gás com efeito sedativo leve, que promove um relaxamento no paciente sem causar perda da consciência. Utilizado desde os tempos remotos da anestesiologia, o uso do óxido nitroso na dermatologia tem sido uma estratégia eficaz para procedimentos estéticos mais invasivos, quando a dor e o desconforto são vistos por muitas pessoas como barreiras para o tratamento.
Para apresentar os benefícios e a segurança deste gás e responder à pergunta que abre esta matéria, convidamos a Dra. Natasha Unterstell – dermatologista com residência médica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) – para compartilhar sua experiência.
“Para mim, a sedação com óxido nitroso foi um divisor de águas na realização dos procedimentos, principalmente para os pacientes ansiosos e com fobia de procedimentos injetáveis.
É um procedimento muito seguro, que pode ser feito em crianças, idosos e inclusive há relatos do uso do óxido nitroso em gestantes durante o trabalho de parto. Como reduz um pouco a dor durante os procedimentos, é interessante nos pacientes com limiar de dor mais baixo.
Durante a sedação, o óxido nitroso é utilizado nas concentrações entre 20 e 70% em associação com o oxigênio. Aliás, para uma maior segurança, atualmente as máquinas utilizadas para liberação do óxido nitroso só funcionam com a liberação conjunta de oxigênio, sendo equipadas com dispositivos de alarme que indicam alterações nas proporções da mistura dos gases para impedir que o paciente receba o N20 em concentrações mais altas, visto que este só é liberado se houver pressão do oxigênio no sistema. Isso reduz muito o risco de complicações como intoxicação pelo óxido nitroso, principalmente em pacientes com histórico de doenças pulmonares (como doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC).
Após a suspensão da inalação, o óxido nitroso é eliminado completamente pela via respiratória após cerca de 5 minutos, não interferindo na cognição dos pacientes, ou seja, eles podem retornar às suas atividades cotidianas logo em seguida.
Durante todo o procedimento é indicada a monitorização dos sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio).
As exigências do Conselho Federal de Medicina (CFM) para o uso em consultório são as mesmas para os consultórios classificado como 3B, que realizam procedimentos com anestesia local com sedação leve. Em relação à Vigilância Sanitária, as exigências podem variar conforme a cidade e o estado.”
A sedação com óxido nitroso tem seu uso consagrado na medicina e pode ser um aliado nos procedimentos de consultório, além de proporcionar maior conforto ao paciente. O treinamento é essencial para a execução com segurança.