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Pílulas de Conhecimento

Este mês, a Dra. Cecília Schubert Xavier Lagalhard Victer, coordenadora do Departamento de Mucosa Oral, junto com a Dra. Marcia Ramos e Silva, traz a reflexão sobre Carcinoma de Células Escamosas da Mucosa Oral.

Vamos à leitura:

“O exame da mucosa oral permite a identificação de lesões suspeitas do Carcinoma de Células Escamosas da Mucosa Oral, que corresponde a mais de 90% das neoplasias malignas orais. Este tumor é reconhecido pela sua agressividade e pior prognóstico quando comparado ao Carcinoma de Células Escamosas da Pele. (1) Acomete com maior frequência pacientes do sexo masculino e sua localização preferencial é a região lateral da língua, seguida pelo assoalho da boca. (1)Etilismo, tabagismo, doenças sistêmicas e infecção pelo vírus HPV são fatores de risco conhecidos. (1) O termo Lesões Potencialmente Malignas da Cavidade Oral se refere à um grupo de heterogêneo de lesões que apresentam maior risco de evoluir para o Carcinoma Escamoso. Dentre estas, destacamos a Leucoplasia. A definição de Leucoplasia mudou ao longo do tempo, mas de maneira geral é entendida como uma placa branca na mucosa que não pode ser caracterizada clinica ou histopatologicamente como uma entidade específica, e que apresenta risco elevado de desenvolvimento de câncer. (2) A maior incidência da leucopplasia ocorre na quarta década de vida e a localização mais comum é na lateral da língua e assoalho da boca. Clinicamente, pode ser classificada em dois tipos. A leucoplasia homogênea é uma placa branca de superfície lisa e bordas bem delimitadas. A leucoplasia heterogênea é irregular, com superfície verrucosa ou nodular. Quando a placa branca apresenta-se entremeada por áreas eritematosas, denomina-se Leucoeritroplasia. As lesões heterogêneas apresentam risco elevado de displasia ou carcinoma in situ, sendo a leucoeritroplasia mais suspeita. Preferencialmente o diagnóstico se dá pelo exame anatomopatológico, que revela achados inespecíficos como acantose e/ou hiperceratose , podendo haver ou não displasia epitelial associada. O tratamento envolve mudanças de hábitos como suspensão de tabagismo e etilismo. (2) Excisão cirúrgica é o tratamento mais realizado; especialmente para lesões agressivas. (2, 3) Retinóides sistêmicos podem ser indicados como opção de quimioprevenção em lesões leucoplásicas extensas ou para evitar tumores secundários. (3) Outras opções terapêuticas ainda incluem lasers abativos, crioterapia ou terapia fotodinâmica. (3)

  1. Maymone MBC, et al. Premalignant and malignant oral mucosal lesions: Clinical and pathological findings. J Am Acad Dermatol. 2019 Jul;81(1):59-71.
  2. Warnakulasuriya S1. Oral potentially malignant disorder. A comprehensive review on clinical aspects and management. Oral Oncol. 2020 Jan 22;102:104550
  3. Awadallah M1, et a. Management update of potentially premalignant oral epithelial lesions. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol. 2018 Jun;125(6):628-636