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Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele: iniciativa pioneira da SBD-RJ

Maria Leide W. Oliveira

Hábitos saudáveis de exposição solar são recomendados pela Organização Mundial de Saúde visando à prevenção do câncer da pele1. O Ministério da Saúde disponibiliza as estimativas e tendências de câncer no Brasil, priorizando o melanoma maligno2. A participação dos Serviços de Dermatologia de todo o Brasil, orientando os residentes no atendimento à demanda populacional nas Campanhas de Câncer da Pele (CCP), tem possibilitado não apenas o diagnóstico e tratamento dos casos de câncer e outras dermatoses, como também o aprendizado desses jovens médicos dermatologistas. 

Além disso, milhões de pessoas são informadas e orientadas sobre os cuidados com a proteção solar, divulgados em todas as mídias sociais, e também no trabalho corpo a corpo nas centenas de unidades de saúde e locais nos quais as pessoas são examinadas. E há sempre o cuidado com a resolução cirúrgica dos casos de câncer cutâneo diagnosticados no dia da campanha.3

É, portanto, um exemplo de ação de responsabilidade social de uma sociedade científica, sendo a Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ) pioneira dessa campanha no Brasil, com o lançamento em 1987 e consolidação em 1988, pelo professor Jarbas Porto, que dá nome à gestão vigente.4

Uma década depois ela foi acolhida como campanha nacional pela SBD e no ano 2000 passou a ter a coleta uniformizada dos dados e resultados de todas as campanhas realizadas pelo país5.  O grupo de estudos do Melanoma, criado em 1988, tem se destacado mundialmente na produção, sistematização e disseminação de conhecimentos em relação ao câncer cutâneo mais maligno. Em 2009, constituiu-se o Programa Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, adotou-se o mês de prevenção – Dezembro Laranja – e foi iniciado o atendimento em unidade móvel com um caminhão percorrendo a costa brasileira6. Em 2010, a SBD recebeu a certificação do Guiness Book como a maior campanha realizada em um dia.

Em uma nova etapa, a campanha tornou-se contínua no mês de dezembro, com a divulgação das medidas de proteção nas mídias sociais e os eventos como os que estão ocorrendo na campanha atual no Rio de Janeiro – parceria com a Rio Luz para iluminação de monumentos as cidade (Catedral, Arcos da Lapa, monumentos a D. Pedro I na praça Tiradentes, chafariz da Ilha do Governador, chafariz da Praça das Nações, coreto da Praça Seca, monumento Estácio de Sá), distribuição de panfletos (feijoada da Portela, no AquaRio e no Zoológico), entre outras. Esta é uma estratégia para consolidar a retenção da informação e a mudança de práticas de proteção. Também estende a mobilização dos casos sintomáticos de pele e a procura dos serviços de saúde, o que impõe preparo dos mesmos e dos sites da SBD e suas regionais para respostas às consultas da população.

Além de ser o cartão postal do verão no Brasil, o Rio de Janeiro tem eventos de grande aglomeração nacional e internacional nessa época, como o Réveillon e o Carnaval. Isso permite ampliar o alcance da ação da SBD e uma sugestão são mensagens em inglês e espanhol do slogan da campanha.

Apesar de algumas evidências de diagnóstico mais precoce do melanoma maligno no Brasil e uma possível relação com a campanha sistemática da SBD, não é observada redução significativa de sua frequência bem como de outros cânceres cutâneos não melanoma7,8. Vários estudos demonstram que o conhecimento sobre os danos da exposição solar e sem a fotoproteção adequada não se traduz em mudança de atitude na prática, para a grande maioria da população9,10,11. Mesmo com muitas informações e orientação para a população e profissionais de saúde, são mudanças que dependem de fatores culturais e sociais com determinação histórica e a longo prazo12.  Nesse sentido, a polêmica existente entre a fotoproteção e os baixos níveis de vitamina D na população não parecem estar diretamente relacionados. Isso devido ao uso inadequado de proteção solar em um país tropical e de hábitos de vestir-se com grande exposição corporal. Desse modo, a SBD vem pautando as suas recomendações de fotoproteção com base no monitoramento dos conhecimentos científicos produzidos com evidência.

A orientação é que a exposição solar seja realizada de forma segura, especialmente nos indivíduos de pele, cabelos e olhos claros ou seja, com a utilização de protetores solares nas áreas expostas diariamente associadas às medidas de fotoproteção para as atividades ao ar livre. As crianças menores de seis meses de idade e idosos devem ser protegidas da luz direta, com roupas e chapéus apropriados. Entre as muitas informações online disponíveis no site da SBD, há um aplicativo para o cálculo individual do risco para câncer cutâneo.

A regional da SBD do RJ criou, em 2015, a Política de Sombras, com um material orientador para a mudança de hábitos e prevenção dos efeitos adversos do sol nas vias públicas, cujo material audiovisual está disponível no site da SBDRJ.  

Todo o esforço da SBD-RJ e sua grande contribuição à redução das formas graves de câncer da pele somente será possível com a participação de todos os associados, visando ao alcance da meta maior, que é prevenir a incidência desses tumores em nossa população.

Viva o verão com exercícios ao ar livre.

Exponha-se, mas não se queime!

 


 

Referências

  1. World Health Organization. Sun Protection. Disponível em: http://www.who.int/uv/sun_protection/en/ >acesso em 11 de dezembro de 2017

2.Brasil/Ministério da Saúde/Instituto Nacional do Câncer. Estimativa 2016/2017: incidencia de cancer no Brasil [internet]. Rio de Janeiro: INCA, 2016  Disponível<http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf.>Accesso em 11 de Dezembro de 2017.

  1. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Data analysisofthebraziliansocietyofdermatologyskincancerpreventioncampaign, 1999 to 2005. AnBrasDermatol. 2006;81(6):533-9.
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia-RJ. Campanha de prevenção do câncer da pele na cidade do Rio de Janeiro. Bol Rio Dermatológico. 1999;1(10):2.
  3. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Números e fatos da campanha nacional de prevenção do câncer da pele. Jornal da SBD. 2000;iv(3):12-7.
  4. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Tour de prevenção é o destaque da 11ª campanha de câncer da pele. J Dermatol. [internet].2009 Disponível <http://www.sbd.org.br/dermatologia/acoes-campanhas/tour-de-combate-ao-cancer-da-pele/> acesso em 11 de Dezembro de 2017.

7.Bonfá R, Bonamigo RR, Bonfá R, Duro KM, Furian RD, Zelmanowicz AM. Early diagnosis of cutaneous melanoma: an observation in southern Brazil. An Bras Dermatol. 2011;86(2):215-21.

  1. Moreno M, Batista FRB, Bonetti TC. Survival of patients with cutaneous melanoma in the western region of Santa Catarina, Brazil. Rev Bras Cancerologia. 2012;58(4): 649-53.

9.Benvenuto-Andrade C, Zen B, Fonseca G, De Villa D, Cestari T. Sun exposure and sun protection habits among high-school adolescents in Porto Alegre, Brazil.PhotochemPhothobiol. 2005;81(3):630-5.

  1. Bakos L, Mastroeni S, Bonamigo RR, Melchi F, Pasquini P, Fortes C. A melanoma risk score in a Brazilian population An Bras Dermatol. 2013;88(2):226-32.
  2. Vasconcellos-Silva PR, CastielLD, Griep RH, Zanchetta M. Cancer prevention campaigns and Internet access: promoting health or disease?Epidemiol Community Health. 2008;62:876-81. 

12.Mendes GLQ, Koifman RJ, Koifman S. Socioeconomic status as a predictor of melanoma survival in a series of 1083 cases from Brazil: just a marker of health services accessibility? Melanoma Res. 2013;23(3):199-205